Mastite, Abscesso e Fístula Mamária: Causas, Tratamento e Quando Procurar o Mastologista

Autor: Dr. Wesley Andrade — CRM 122593/SP · Mastologista e Cirurgião Oncológico · Mestre e Doutor em Oncologia · Desenvolvedor do TNM8 Breast Cancer Calculator (licenciado pela AJCC)

Instituição: Clínica Dr. Wesley Andrade — Rua Pamplona 145, Sala 1412, Jardim Paulista, São Paulo/SP

Revisado em: Junho de 2026

Tempo de leitura: 14 minutos

O que é mastite?

A mastite é a inflamação do tecido mamário, que pode ou não estar associada a infecção bacteriana. Manifesta-se com dor, vermelhidão, calor, inchaço e endurecimento localizado na mama, frequentemente acompanhados de febre e mal-estar.

A mastite é uma das condições mamárias mais comuns e pode acometer mulheres em qualquer fase da vida — durante a amamentação (mastite lactacional ou puerperal), fora do período de amamentação (mastite não lactacional ou periductal) e, raramente, em homens.

Quando não tratada adequadamente, a mastite pode evoluir para abscesso mamário — uma coleção de pus dentro do tecido da mama — e, em casos crônicos, para fístula mamária — um trajeto anormal que comunica o ducto mamário com a pele.

O mastologista é o especialista indicado para o diagnóstico e o tratamento completo dessas condições — da fase aguda até a resolução cirúrgica definitiva, quando necessária.

Tipos de mastite

Mastite lactacional (puerperal)

A mastite lactacional é a forma mais comum. Ocorre durante a amamentação, geralmente nas primeiras 6 a 12 semanas após o parto, embora possa surgir em qualquer momento da lactação. Acomete entre 2% e 10% das mulheres que amamentam.

Causas: a mastite lactacional resulta, na maioria dos casos, da estase láctea — o acúmulo de leite nos ductos mamários por esvaziamento incompleto ou obstrução de um ducto. Essa estase cria um ambiente favorável à proliferação bacteriana. O agente mais frequentemente envolvido é o Staphylococcus aureus, que penetra através de fissuras no mamilo causadas pela pega inadequada do bebê.

Sintomas: dor intensa e localizada em uma área da mama, vermelhidão em formato de cunha (triangular), calor local, edema, febre (frequentemente acima de 38,5°C), calafrios e mal-estar. A mama pode ficar tensa e endurecida na região acometida.

Tratamento: o tratamento da mastite lactacional inclui manutenção da amamentação (fundamental — o esvaziamento frequente da mama é a medida mais importante; o leite materno na presença de mastite não prejudica o bebê), antibioticoterapia (cefalexina ou amoxicilina-clavulanato são os antibióticos de primeira linha, com duração mínima de 10 a 14 dias), analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor e da inflamação, compressas mornas antes das mamadas para facilitar a ejeção do leite, e orientação sobre pega correta e esvaziamento adequado da mama.

Quando procurar o mastologista: se os sintomas não melhoram após 48 a 72 horas de antibiótico, se há formação de massa flutuante (sugestiva de abscesso), se a mastite é recorrente, ou se há secreção purulenta persistente pelo mamilo.

Mastite não lactacional (periductal)

A mastite não lactacional — também chamada de mastite periductal ou ectasia ductal — ocorre fora do período de amamentação. É menos comum, mas frequentemente mais complexa e com maior tendência à recorrência e à formação de fístulas.

Causas: a mastite periductal está associada à dilatação e à inflamação dos ductos mamários principais, geralmente na região retroareolar (atrás da aréola e do mamilo). O tabagismo é o principal fator de risco — a nicotina causa dano direto ao epitélio dos ductos mamários e altera a flora bacteriana local. Estudos mostram que até 90% das mulheres com mastite periductal recorrente são fumantes.

A flora bacteriana envolvida é mista — frequentemente anaeróbios e bactérias gram-negativas, além do Staphylococcus aureus.

Sintomas: dor e vermelhidão na região periareolar (ao redor da aréola), massa palpável retroareolar, retração do mamilo (que pode simular câncer), secreção pelo mamilo (purulenta ou de aspecto pastoso), e episódios recorrentes de inflamação e drenagem espontânea.

Tratamento: antibioticoterapia de amplo espectro (cobrindo anaeróbios — amoxicilina-clavulanato ou metronidazol associado a cefalosporina), cessação do tabagismo (medida mais importante para prevenir recorrência), e avaliação para tratamento cirúrgico definitivo em casos recorrentes.

Mastite granulomatosa idiopática

A mastite granulomatosa idiopática é uma condição inflamatória crônica rara, de causa desconhecida, que pode mimetizar tanto uma infecção quanto um carcinoma inflamatório da mama — tornando o diagnóstico um desafio.

Características: massa inflamatória endurecida, frequentemente com múltiplos abscessos e fístulas cutâneas, sem resposta completa a antibióticos, e com biópsia mostrando granulomas não caseosos (sem necrose central) na ausência de agentes infecciosos identificáveis.

Tratamento: a abordagem é controversa e pode incluir corticosteroides (prednisona), metotrexato em casos refratários, drenagem de abscessos e, em casos selecionados, excisão cirúrgica ampla. O acompanhamento pelo mastologista é essencial, pois a condição pode ser crônica e recorrente.

Abscesso mamário

O abscesso mamário é uma coleção de pus dentro do tecido da mama, resultante da evolução de uma mastite não tratada ou inadequadamente tratada. Pode ocorrer tanto no contexto lactacional quanto no não lactacional.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e confirmado por ultrassonografia mamária, que demonstra uma coleção líquida circunscrita com conteúdo espesso e paredes irregulares. A ultrassonografia é fundamental para diferenciar o abscesso (que necessita de drenagem) da mastite sem coleção (que pode ser tratada apenas com antibiótico).

Tratamento

Punção aspirativa guiada por ultrassom

Para abscessos de até 3 centímetros, a aspiração por agulha grossa guiada por ultrassonografia é a primeira opção. Pode ser realizada no consultório ou ambulatório, sem necessidade de anestesia geral. O material aspirado é enviado para cultura e antibiograma. Pode ser necessário repetir a aspiração em 48 a 72 horas se houver reacúmulo.

Drenagem cirúrgica

Para abscessos maiores que 3 centímetros, multiloculados ou que não responderam à punção aspirativa, a drenagem cirúrgica é indicada. É realizada sob anestesia local com sedação ou anestesia geral. A incisão é feita preferencialmente na pele sobre o ponto de maior flutuação, o pus é drenado, a cavidade é lavada e, em alguns casos, um dreno é posicionado temporariamente.

Antibioticoterapia

É sempre associada à drenagem. O esquema inicial é empírico e ajustado conforme o resultado da cultura do material drenado.

Abscesso mamário e câncer

Um ponto fundamental que o mastologista deve considerar: em mulheres acima de 40 anos ou com fatores de risco, todo abscesso mamário que não responde ao tratamento convencional ou que apresenta características atípicas (massa residual após drenagem, pele com aspecto de casca de laranja, linfonodos axilares endurecidos) deve ser investigado para excluir carcinoma inflamatório da mama — um tipo raro e agressivo de câncer que pode mimetizar uma mastite ou abscesso.

A biópsia da pele ou da parede do abscesso deve ser considerada nesses casos. A vigilância é especialmente importante em mulheres não lactantes com abscesso mamário.

Fístula mamária

A fístula mamária é um trajeto anormal — um “túnel” — que se forma entre um ducto mamário inflamado e a pele, geralmente na região periareolar. É a complicação crônica mais frustrante da mastite periductal, pois tende a recidivar repetidamente até ser tratada cirurgicamente de forma definitiva.

Como se forma

O ciclo típico da fístula mamária começa com a mastite periductal (inflamação do ducto na região retroareolar), que evolui para abscesso, que drena espontaneamente ou é drenado cirurgicamente, formando um trajeto entre o ducto e a pele. Esse trajeto se epiteliza (reveste-se de pele internamente) e se torna permanente — a fístula. A cada episódio de inflamação, pus drena pela fístula, a inflamação melhora temporariamente e, semanas ou meses depois, o ciclo se repete.

Tratamento cirúrgico definitivo — fistulectomia

O tratamento definitivo da fístula mamária é a fistulectomia com ressecção dos ductos principais (excisão central dos ductos ou operação de Urban).

O procedimento consiste em:

  • Excisão completa do trajeto fistuloso e do ducto mamário doente responsável pela fístula;
  • Remoção dos ductos principais retroareolares quando há doença periductal difusa;
  • Fechamento do defeito com rearranjo do tecido local.

A cirurgia é realizada sob anestesia geral, com internação de 1 dia na maioria dos casos. A taxa de cura após fistulectomia adequada é superior a 90%.

Fatores que aumentam o risco de recidiva após a cirurgia:

  • Tabagismo ativo (o fator mais importante — pacientes que continuam fumando têm taxa de recidiva significativamente maior);
  • Excisão incompleta do ducto doente;
  • Infecção ativa no momento da cirurgia (idealmente a cirurgia deve ser realizada em fase de remissão da inflamação aguda).

A cessação do tabagismo antes e após a cirurgia é a medida mais importante para prevenir a recidiva da fístula mamária.

Mastite e amamentação: devo parar de amamentar?

Uma das perguntas mais frequentes das pacientes com mastite lactacional — e uma das maiores fontes de desinformação — é se devem parar de amamentar.

A resposta, baseada nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das sociedades médicas: não.

A amamentação deve ser mantida mesmo na presença de mastite. O esvaziamento frequente da mama é, na verdade, a medida terapêutica mais importante para a resolução da inflamação. Interromper a amamentação pode agravar a estase láctea e piorar o quadro.

O leite materno na presença de mastite é seguro para o bebê. Mesmo quando há abscesso, a amamentação pode ser mantida pela mama contralateral (não afetada). A amamentação pela mama com abscesso é suspensa temporariamente apenas quando a drenagem cirúrgica é realizada muito próxima ao mamilo, podendo ser retomada após cicatrização.

Quando procurar um mastologista?

A avaliação pelo mastologista é indicada nas seguintes situações:

  • Mastite que não melhora após 48 a 72 horas de antibiótico prescrito;
  • Suspeita de abscesso (massa flutuante, aumento progressivo da dor e febre);
  • Mastite recorrente (dois ou mais episódios);
  • Mastite em mulher não lactante (exige investigação para excluir causas específicas, incluindo carcinoma inflamatório);
  • Fístula periareolar com drenagem recorrente;
  • Retração do mamilo associada a sinais inflamatórios;
  • Qualquer massa mamária persistente após resolução de quadro inflamatório.

O mastologista possui a formação e a experiência necessárias para conduzir todo o espectro dessas condições — do tratamento clínico ao cirúrgico — com segurança e resolutividade.

Perguntas frequentes sobre mastite, abscesso e fístula mamária

O que é mastite?

Mastite é a inflamação do tecido mamário, com dor, vermelhidão, calor e inchaço na mama. Pode estar associada a infecção bacteriana. A forma mais comum é a mastite lactacional (durante a amamentação), mas também pode ocorrer fora desse período (mastite periductal). O tratamento inclui antibióticos, analgésicos e esvaziamento adequado da mama.

Mastite durante a amamentação: devo parar de amamentar?

Não. A Organização Mundial da Saúde recomenda a manutenção da amamentação durante a mastite. O esvaziamento frequente da mama é a medida terapêutica mais importante. O leite materno na presença de mastite é seguro para o bebê.

O que é abscesso mamário?

É uma coleção de pus dentro da mama, que se forma quando a mastite não é tratada adequadamente. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia. O tratamento é a drenagem (por punção aspirativa ou cirúrgica) associada a antibióticos.

Abscesso mamário pode ser drenado no consultório?

Abscessos de até 3 centímetros podem ser drenados por punção aspirativa guiada por ultrassom no consultório ou ambulatório, sem anestesia geral. Abscessos maiores ou multiloculados geralmente necessitam de drenagem cirúrgica.

O que é fístula mamária?

É um trajeto anormal entre um ducto mamário inflamado e a pele, geralmente na região periareolar. Resulta de episódios recorrentes de mastite periductal. Tende a recidivar até ser tratada cirurgicamente com fistulectomia.

A mastite pode ser câncer?

A mastite em si não é câncer. Porém, o carcinoma inflamatório da mama — um tipo raro e agressivo — pode mimetizar uma mastite (vermelhidão, inchaço, dor). Toda mastite que não responde ao tratamento convencional em mulheres acima de 40 anos deve ser investigada com biópsia para excluir malignidade.

O tabagismo causa mastite?

O tabagismo é o principal fator de risco para a mastite periductal (não lactacional) e para a fístula mamária. A nicotina causa dano direto aos ductos mamários. Até 90% das mulheres com mastite periductal recorrente são fumantes. A cessação do tabagismo é a medida preventiva mais importante.

Qual médico trata mastite e abscesso mamário?

O mastologista é o especialista mais indicado para o diagnóstico e tratamento completo de mastite, abscesso e fístula mamária — incluindo o manejo clínico, a drenagem de abscessos e a cirurgia definitiva (fistulectomia) quando necessária.

Mastite pode deixar sequelas na mama?

A maioria das mastites resolve sem sequelas quando tratada adequadamente. Abscessos e fístulas podem deixar cicatrizes e, em casos graves, retração ou deformidade localizada da mama. Técnicas de oncoplastia podem ser utilizadas para correção estética quando indicado.


Dr. Wesley Andrade é mastologista e cirurgião oncológico em São Paulo, com Mestrado e Doutorado em Oncologia. É desenvolvedor do TNM8 Breast Cancer Calculator, aplicativo para estadiamento do câncer de mama licenciado pela AJCC (American Joint Committee on Cancer) e apresentado no ASCO Annual Meeting 2018. Atende em consultório particular no Jardim Paulista e realiza cirurgias nos principais hospitais de São Paulo.

Clínica Dr. Wesley Andrade

Rua Pamplona 145, Sala 1412, Jardim Paulista — São Paulo/SP

drwesleyandrade.com.br · Instagram: @dr.wesleyandrade

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