Autor: Dr. Wesley Andrade — CRM 122593/SP · Mastologista e Cirurgião Oncológico · Mestre e Doutor em Oncologia
Instituição: Clínica Dr. Wesley Andrade — São Paulo, Brasil
Revisado em: Junho de 2026
Tempo de leitura: 12 minutos
O que é ginecomastia?
A ginecomastia é o aumento do tecido mamário em homens. Trata-se de uma condição benigna, causada pela proliferação do componente glandular da mama masculina — diferentemente da pseudoginecomastia (ou lipomastia), que é o aumento da mama por acúmulo de gordura, sem proliferação glandular.
A ginecomastia é mais comum do que a maioria dos homens imagina. Estima-se que até 60% a 70% dos adolescentes apresentem algum grau de ginecomastia durante a puberdade, e que a prevalência em homens adultos varie entre 30% e 50%, aumentando com a idade.
Embora seja benigna na grande maioria dos casos, a ginecomastia pode causar desconforto físico, constrangimento social significativo e impacto relevante na autoestima e na qualidade de vida. Muitos homens convivem com a condição por anos sem buscar ajuda — seja por vergonha, seja por desconhecimento de que existe tratamento.
O mastologista é o especialista mais indicado para avaliar e tratar a ginecomastia, pois possui formação específica em doenças mamárias e experiência na diferenciação entre condições benignas e malignas da mama masculina.
O que causa a ginecomastia?
A ginecomastia resulta de um desequilíbrio entre a ação do estrogênio (que estimula o tecido mamário) e da testosterona (que inibe) no organismo masculino. Esse desequilíbrio pode ser fisiológico ou patológico.
Ginecomastia fisiológica
Existem três fases da vida em que a ginecomastia ocorre de forma fisiológica — ou seja, como parte do desenvolvimento hormonal normal.
Neonatal: até 90% dos recém-nascidos do sexo masculino apresentam tecido mamário palpável, decorrente da exposição aos hormônios maternos durante a gestação. Regride espontaneamente em semanas.
Puberal: a ginecomastia puberal ocorre em 50% a 70% dos adolescentes entre 12 e 17 anos, devido às flutuações hormonais da puberdade. Na maioria dos casos, regride espontaneamente em 1 a 2 anos. Quando persiste além dos 18 anos, é considerada ginecomastia puberal persistente e pode necessitar de tratamento.
Senil: em homens acima de 50 anos, a redução gradual da testosterona e o aumento relativo do estrogênio (especialmente em homens com excesso de gordura corporal) podem levar à ginecomastia. A prevalência aumenta progressivamente com a idade.
Ginecomastia por medicamentos
Diversos medicamentos podem causar ginecomastia por diferentes mecanismos. Os mais frequentemente implicados incluem espironolactona (diurético), cetoconazol (antifúngico), cimetidina (antiácido), finasterida e dutasterida (usados para hiperplasia prostática e calvície), antirretrovirais, alguns antidepressivos e antipsicóticos, anabolizantes esteroides e suplementos hormonais, e uso de cannabis e álcool em excesso.
A ginecomastia por medicamentos é potencialmente reversível com a suspensão ou substituição do fármaco causador, quando possível.
Ginecomastia por condições clínicas
Condições que alteram o equilíbrio hormonal podem causar ginecomastia. As principais incluem hipogonadismo (redução da produção de testosterona pelos testículos), hipertireoidismo (aumento dos hormônios tireoidianos), cirrose hepática (redução da metabolização do estrogênio pelo fígado), insuficiência renal crônica, tumores testiculares produtores de hormônios (especialmente tumores de células de Leydig e tumores produtores de hCG), tumores adrenais produtores de estrogênio, e síndrome de Klinefelter (cariótipo 47,XXY).
Ginecomastia idiopática
Em até 25% dos casos, nenhuma causa específica é identificada após investigação completa. Esses casos são classificados como ginecomastia idiopática e podem refletir uma sensibilidade aumentada do tecido mamário masculino ao estrogênio circulante em níveis normais.
Ginecomastia vs. câncer de mama masculino
Uma preocupação legítima — e frequente — é saber se o aumento da mama masculina pode ser câncer. A resposta é que o câncer de mama masculino existe, mas é raro (cerca de 1% de todos os cânceres de mama), enquanto a ginecomastia é extremamente comum.
Características que diferenciam a ginecomastia do câncer de mama masculino incluem o seguinte. A ginecomastia costuma ser bilateral (nos dois lados) ou centralizada atrás do mamilo, simétrica, macia ou fibroelástica ao toque, e sem alterações na pele ou no mamilo.
O câncer de mama masculino, por outro lado, costuma ser unilateral, excêntrico (não centralizado no mamilo), duro, fixo, podendo estar associado a retração do mamilo, secreção sanguinolenta ou linfonodos axilares palpáveis.
Toda massa mamária masculina deve ser avaliada pelo mastologista. Na maioria dos casos, o exame clínico e a ultrassonografia mamária são suficientes para o diagnóstico. Quando há dúvida, a mamografia e a biópsia por agulha podem ser indicadas.
Diagnóstico da ginecomastia
O diagnóstico da ginecomastia combina avaliação clínica, exames de imagem e exames laboratoriais.
Exame clínico: o mastologista palpa o tecido mamário para confirmar a presença de tecido glandular (que se diferencia da gordura pela consistência firme e concentrada na região retroareolar) e para avaliar se há sinais suspeitos de malignidade.
Ultrassonografia mamária: é o exame de imagem de primeira escolha. Permite diferenciar tecido glandular de tecido gorduroso, identificar nódulos e descartar lesões suspeitas.
Mamografia: indicada em casos selecionados — suspeita de malignidade, nódulo excêntrico, pacientes com fatores de risco.
Exames laboratoriais: dosagem de testosterona total e livre, estradiol, LH, FSH, prolactina, função hepática, função renal, função tireoidiana e hCG. Esses exames ajudam a identificar causas tratáveis e a descartar tumores produtores de hormônios.
Classificação da ginecomastia
A classificação de Simon é a mais utilizada para orientar o tratamento cirúrgico.
Grau I: aumento discreto da mama, sem excesso de pele. Geralmente tratável com lipoaspiração e/ou excisão glandular.
Grau IIA: aumento moderado, sem excesso de pele significativo.
Grau IIB: aumento moderado, com excesso de pele moderado.
Grau III: aumento volumoso da mama com excesso de pele significativo, semelhante à ptose mamária feminina. Pode necessitar de ressecção de pele além da glandulectomia.
Tratamento da ginecomastia
Tratamento clínico (sem cirurgia)
Na ginecomastia puberal recente (menos de 12 meses de evolução), a observação é a conduta inicial, pois a regressão espontânea é frequente.
A suspensão de medicamentos causadores, quando identificados, pode resolver o problema.
O tratamento de condições clínicas subjacentes (hipogonadismo, hipertireoidismo, cirrose) pode melhorar ou resolver a ginecomastia.
O uso de tamoxifeno (modulador seletivo do receptor de estrogênio) pode ser considerado em casos selecionados de ginecomastia recente e sintomática — com eficácia reportada de 60% a 80% na redução da dor e do volume mamário. Entretanto, o tamoxifeno é menos eficaz em ginecomastias de longa data (acima de 12 meses), quando o tecido já apresenta fibrose estabelecida.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia é o tratamento definitivo da ginecomastia e está indicada quando a condição persiste por mais de 12 a 18 meses e causa desconforto físico ou emocional, quando o tratamento clínico não foi eficaz, quando há componente fibroso estabelecido que não regredirá espontaneamente, e quando a ginecomastia é volumosa (graus IIB e III) com excesso de pele.
Lipoaspiração: utilizada para remoção do componente gorduroso. Pode ser realizada isoladamente em casos de pseudoginecomastia (predomínio de gordura) ou combinada com excisão glandular. A lipoaspiração assistida por ultrassom (VASER) ou por laser pode oferecer vantagens na remoção de tecido mais fibrótico.
Excisão glandular (adenectomia subcutânea): remoção do tecido glandular por meio de uma incisão semicircular na borda inferior da aréola (incisão periareolar inferior). Essa incisão cicatriza de forma discreta, ficando praticamente invisível na transição entre a aréola e a pele. É a técnica de escolha para ginecomastias verdadeiras com componente glandular significativo.
Técnica combinada: a maioria dos casos é tratada com a combinação de lipoaspiração (para remoção do componente gorduroso periférico) e excisão glandular (para remoção do tecido firme retroareolar). Essa combinação oferece os melhores resultados em termos de contorno e naturalidade.
Ressecção de pele: em ginecomastias volumosas (grau III), a ressecção de pele excedente pode ser necessária para evitar flacidez residual. As técnicas variam conforme o grau de excesso — desde ressecção periareolar (para excessos leves) até padrões com cicatriz em T invertido (para excessos significativos).
Recuperação da cirurgia de ginecomastia
A cirurgia de ginecomastia é realizada sob anestesia geral ou sedação com anestesia local, em regime de day hospital (alta no mesmo dia) na maioria dos casos.
No pós-operatório, é utilizado um colete compressivo (semelhante a uma cinta torácica) por 4 a 6 semanas, para auxiliar na retração da pele e na redução do edema. A dor é leve a moderada e controlada com analgésicos comuns. Atividades leves podem ser retomadas em 5 a 7 dias. Exercícios físicos que envolvam a musculatura peitoral devem ser evitados por 4 a 6 semanas.
O resultado final — com resolução do edema e retração da pele — estabiliza entre 3 e 6 meses após a cirurgia.
Perguntas frequentes sobre ginecomastia
O que é ginecomastia?
É o aumento do tecido mamário em homens, causado pela proliferação do componente glandular da mama masculina. É uma condição benigna, diferente do acúmulo de gordura (pseudoginecomastia). Pode causar desconforto físico e impacto significativo na autoestima.
Ginecomastia tem cura?
Sim. A ginecomastia puberal frequentemente regride espontaneamente. Quando persiste, o tratamento cirúrgico (lipoaspiração + excisão glandular) oferece resultados definitivos.
Qual médico trata ginecomastia?
O mastologista é o especialista mais indicado, pois possui formação específica em doenças mamárias e experiência na diferenciação entre ginecomastia e outras condições mamárias masculinas, incluindo o câncer de mama.
A cirurgia de ginecomastia é coberta pelo plano de saúde?
Quando há indicação médica documentada (ginecomastia verdadeira confirmada por exames), a maioria dos planos cobre o procedimento cirúrgico. A avaliação pelo mastologista e os exames complementares fundamentam a indicação.
A ginecomastia pode ser sinal de câncer?
A ginecomastia em si não é câncer e não aumenta o risco de câncer de mama masculino de forma significativa. Porém, toda massa mamária masculina deve ser avaliada pelo mastologista para diferenciação entre condições benignas e malignas.
Anabolizantes causam ginecomastia?
Sim. O uso de esteroides anabolizantes é uma das causas mais comuns de ginecomastia em homens jovens. Os anabolizantes são parcialmente convertidos em estrogênio no organismo, estimulando o crescimento do tecido mamário.
A ginecomastia volta após a cirurgia?
A recidiva é incomum quando a excisão glandular é adequada. Se a causa subjacente (medicamento, condição hormonal) não for corrigida, existe possibilidade de crescimento residual, embora rara após cirurgia bem executada.
Dr. Wesley Andrade · CRM 122593/SP
Mastologista e Cirurgião Oncológico · Mestre e Doutor em Oncologia
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