Cirurgia Oncoplástica da Mama: O Que É, Técnicas e Quando É Indicada

Autor: Dr. Wesley Andrade — CRM 122593/SP
Mastologista e Cirurgião Oncológico · Mestre e Doutor em Oncologia
Revisado em: Abril de 2026
Tempo de leitura: 12 minutos

O que é a cirurgia oncoplástica da mama?

A cirurgia oncoplástica combina técnicas de cirurgia oncológica com técnicas de cirurgia plástica reconstrutiva no tratamento do câncer de mama.

O objetivo é:

  • Remover o tumor com segurança oncológica;

  • Preservar ou reconstruir a forma da mama;

  • Manter simetria e qualidade estética.

Na prática, a paciente não precisa escolher entre tratar o câncer e preservar a aparência da mama. A oncoplastia busca alcançar os dois objetivos no mesmo procedimento.

Antes do desenvolvimento da oncoplastia, cirurgias conservadoras frequentemente resultavam em retrações, deformidades e assimetrias mamárias. A integração entre oncologia e cirurgia plástica mudou esse cenário.

Qual a diferença entre oncoplastia e reconstrução mamária?

Essa é uma dúvida muito comum.

Cirurgia oncoplástica

É realizada quando apenas parte da mama é removida junto com o tumor. O tecido restante é reorganizado para preservar o formato natural da mama.

Reconstrução mamária

É realizada após a mastectomia, quando toda a mama é removida. Nesse caso, é necessário reconstruir completamente a mama utilizando:

  • Implantes de silicone;

  • Expansores;

  • Retalhos de tecido autólogo.

Em resumo:

  • Oncoplastia: preserva a mama;

  • Reconstrução mamária: cria uma nova mama após retirada total.

Quando a cirurgia oncoplástica é indicada?

A oncoplastia é indicada para pacientes com câncer de mama que podem realizar tratamento conservador.

Ela costuma ser especialmente útil em casos como:

  • Tumores moderados em relação ao tamanho da mama;

  • Tumores em regiões com maior risco de deformidade estética;

  • Mamas médias ou grandes;

  • Pacientes com ptose mamária;

  • Casos com boa resposta à quimioterapia neoadjuvante.

A Lei nº 13.770/2018 garante o direito à reconstrução mamária em casos de tratamento oncológico, incluindo técnicas oncoplásticas.

Principais técnicas de cirurgia oncoplástica

As técnicas são divididas em dois grandes grupos.

Técnicas de nível 1

Indicadas quando a retirada de tecido é pequena ou moderada.

Incluem:

  • Rearranjo glandular simples;

  • Retalhos locais de rotação;

  • Retalhos de avanço.

O objetivo é preencher o defeito mantendo o formato da mama.

Técnicas de nível 2

Utilizadas quando o volume removido é maior e poderia causar deformidades importantes.

As principais técnicas incluem:

  • Mamoplastia com pedículo superior;

  • Pedículo inferior;

  • Pedículo medial;

  • Pedículo lateral;

  • Técnica em T invertido;

  • Cicatriz vertical;

  • Técnica periareolar;

  • Cicatriz em L.

Técnica Round Block (Benelli)

A técnica de Round Block utiliza incisão ao redor da aréola para retirada do tumor e remodelação mamária.

É especialmente indicada para tumores próximos ao complexo aréolo-papilar, oferecendo bom resultado estético com cicatrizes discretas.

O que é oncoplastia extrema?

A oncoplastia extrema amplia as possibilidades do tratamento conservador em casos mais complexos.

Pode ser considerada em situações como:

  • Tumores maiores;

  • Tumores multicêntricos;

  • Casos que tradicionalmente indicariam mastectomia.

Essa abordagem exige experiência avançada e seleção criteriosa das pacientes.

Como é feito o planejamento da cirurgia?

O planejamento é uma das etapas mais importantes da cirurgia oncoplástica.

São avaliados:

  • Volume e formato das mamas;

  • Grau de ptose;

  • Simetria;

  • Localização do tumor;

  • Distância em relação ao mamilo;

  • Resposta à quimioterapia;

  • Qualidade da pele.

Com essas informações, o cirurgião define:

  • A técnica ideal;

  • O volume de tecido a ser removido;

  • O melhor rearranjo mamário.

Simetrização da mama contralateral

Em muitos casos, pode ser necessário realizar procedimento também na outra mama para manter simetria estética.

Isso pode incluir:

  • Mastopexia;

  • Mamoplastia redutora.

A cirurgia oncoplástica é segura do ponto de vista oncológico?

Sim.

Estudos internacionais demonstram que a cirurgia oncoplástica apresenta:

  • Taxas adequadas de margens livres;

  • Controle oncológico seguro;

  • Taxas de recidiva semelhantes à cirurgia conservadora convencional.

Além disso, a técnica não impede:

  • Radioterapia;

  • Acompanhamento mamográfico;

  • Monitoramento oncológico.

Oncoplastia e quimioterapia neoadjuvante

A quimioterapia neoadjuvante pode reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia.

Isso permite transformar casos inicialmente indicados para mastectomia em candidatos à cirurgia conservadora com oncoplastia.

Essa estratégia é especialmente importante em tumores localmente avançados.

O planejamento multidisciplinar é essencial nesses casos.

Como é a recuperação da cirurgia oncoplástica?

A recuperação costuma ser semelhante à de uma mamoplastia convencional.

Nos primeiros dias, podem ocorrer:

  • Inchaço;

  • Hematomas;

  • Desconforto local.

Recomendações comuns

  • Uso de sutiã cirúrgico por 4 a 6 semanas;

  • Retorno gradual às atividades;

  • Liberação progressiva para exercícios físicos.

A radioterapia, quando indicada, geralmente é iniciada entre 4 e 6 semanas após a cirurgia.

O resultado final costuma estabilizar entre 6 e 12 meses.

Perguntas frequentes sobre cirurgia oncoplástica

O que é cirurgia oncoplástica da mama?

É a associação entre cirurgia oncológica e cirurgia plástica para tratar o câncer de mama preservando estética e simetria.

Qual a diferença entre oncoplastia e mastectomia?

A oncoplastia preserva parte da mama. A mastectomia remove toda a mama.

A cirurgia oncoplástica é segura?

Sim. Quando bem indicada, oferece segurança oncológica comparável à cirurgia conservadora tradicional.

Quem pode fazer cirurgia oncoplástica?

Pacientes com indicação de tratamento conservador e condições adequadas para rearranjo mamário.

A cirurgia deixa cicatriz?

Sim, mas as cicatrizes são planejadas para ficarem discretas e estrategicamente posicionadas.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Geralmente entre 2 e 4 horas, dependendo da complexidade do caso.

O plano de saúde cobre a cirurgia?

Sim. A legislação brasileira garante cobertura para reconstrução mamária relacionada ao tratamento oncológico.

Qual médico realiza a cirurgia oncoplástica?

Mastologistas com treinamento em técnicas oncoplásticas ou equipes formadas por mastologista e cirurgião plástico.

Sobre o especialista

Dr. Wesley Andrade — CRM 122593/SP
Mastologista e Cirurgião Oncológico
Mestre e Doutor em Oncologia

Rua Pamplona 145, Sala 1412 — Jardim Paulista — São Paulo/SP
drwesleyandrade.com.br
Instagram: @dr.wesleyandrade

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