A atriz Angelina Jolie passou por uma cirurgia que lhe deixou uma cicatriz de forte significado.

Angelina Jolie (50) posou para a capa da revista TIME França para mostrar uma cicatriz da cirurgia de mastectomia dupla no centro do tórax e alertar mulheres sobre a importância da prevenção ao câncer de mama. A atriz internacional se submeteu ao procedimento em 2013 e, desde então, sempre evitou ser flagrada com a marca.
CARAS Brasil entrevista o Dr. Wesley Pereira Andrade, médico oncologista cirurgião e mastologista. Segundo o especialista, a mastectomia preventiva atualmente é mais frequentemente realizada na forma de adenomastectomia profilática e pode ser considerada quando a mulher apresenta um risco muito elevado de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.
“Esse risco elevado é identificado principalmente em mulheres portadoras de mutações genéticas hereditárias, como BRCA1 ou BRCA2, mas também pode levar em conta idade, histórico familiar detalhado e exames de imagem. Não se trata de uma cirurgia indicada para todas as mulheres, nem apenas para quem tem casos de câncer na família. A decisão deve ser individualizada, tomada após avaliação médica criteriosa e com pleno entendimento dos riscos, benefícios e impactos físicos e emocionais do procedimento”, explica.
No caso de Jolie, a decisão foi tomada após exames de rotina apontarem um gene defeituoso. A decisão de buscar ajuda médica se deu após o falecimento da mãe, Marcheline Bertrand, em decorrência do câncer de mama, em 2007, aos 56 anos.
Exames identificaram gene defeituoso em Angelina Jolie
O médico revela que trata-se de uma mutação genética hereditária, mais comumente nos genes BRCA1 e BRCA2. Esses genes funcionam como verdadeiros “anjos da guarda” do nosso código genético.
“Em pessoas sem a mutação, eles têm a função de vigiar, proteger e reparar danos no DNA que surgem naturalmente ao longo da vida”, afirma o especialista, que em seguida destaca como essa proteção funciona no corpo humano.
“Quando ocorre uma mutação nesses genes, esse mecanismo de proteção falha. O ‘anjo da guarda’ perde a capacidade de corrigir erros no DNA, permitindo que essas falhas se acumulem e aumentem o risco de desenvolvimento de câncer, especialmente câncer de mama e câncer de ovário. É importante destacar que ter a mutação não significa ter câncer, mas sim ter um risco muito maior do que o da população geral”, complementa.

A mãe da atriz morreu vítima de câncer de mama.
Dr. Wesley revela que pessoas com familiares próximos diagnosticados com a doença tendem a receber o mesmo diagnóstico no futuro. A prevenção e o acompanhamento médico, com exames de rotina e check-ups frequentes, são importantes e podem salvar vidas.
“Sim, o risco era real. Um histórico familiar importante, especialmente com casos de câncer em idade precoce ou múltiplos membros da família afetados, levanta a suspeita de uma síndrome hereditária de câncer”, afirma o mastologista após analisar o caso da atriz de Hollywood.
“No caso de mutações como BRCA1 ou BRCA2, familiares de primeiro grau — como irmãos e filhos — têm cerca de 50% de chance de carregar a mesma mutação. Por isso, o aconselhamento genético, a consulta com médico mastologista e os testes específicos são fundamentais para identificar quem realmente está em risco e definir as melhores estratégias de prevenção e acompanhamento”, finaliza.
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