Câncer de Mama Triplo Negativo

O que é o câncer de mama triplo negativo?

Entre os diversos subtipos de câncer de mama, há um que desperta atenção redobrada na comunidade científica: o câncer de mama triplo negativo. 

Chamamos de câncer de mama triplo negativo aquele que não expressa três receptores fundamentais usados para classificar e orientar o tratamento dos tumores de mama:

Receptor de Estrógeno (RE)

Receptor de Progesterona (RP)

Receptor HER2

Quando o tumor é negativo para RE, negativo para RP e negativo para HER2, dizemos que ele é triplo negativo.

Essa ausência desses três marcadores é o que define, terminologicamente, esse subtipo — e também explica seu comportamento biológico mais agressivo, a rapidez de crescimento e a maior probabilidade de recorrência precoce.

É mais comum em mulheres jovens, em pacientes com mutações hereditárias — especialmente no gene BRCA1 — e em alguns grupos populacionais específicos.

Embora seja agressivo, esse subtipo costuma responder muito bem à quimioterapia (e mais recentemente à imunoterapia), o que abre uma oportunidade concreta de cura quando associado ao tratamento cirúrgico oncológico preciso. O tratamento cirúrgico tem magnitude de benefício ainda maior quando o tumor é diagnosticado precocemente, mesmo sendo triplo negativo.

Como funciona o tratamento? Há chance de cura?

A resposta é direta: sim, há chance de cura.

As chances de cura se relacionam principalmente ao tamanho do câncer no momento do diagnóstico.

Tumores triplo negativos pequenos são altamente curáveis com cirurgia.

Lesões avançadas têm suas chances reduzidas, mas ainda podem ser curáveis, desde que o tratamento seja conduzido com rigor, precisão e dentro de uma abordagem multidisciplinar. Nos últimos anos, avanços importantes modificaram profundamente o cenário terapêutico deste subtipo.

Para tumores acima de 2 centímetros ou com linfonodos metastáticos na axila, a primeira etapa costuma ser a quimioterapia neoadjuvante associada à imunoterapia, realizada antes da cirurgia. Esse tratamento reduz o tamanho tumoral e funciona como um “termômetro biológico”, mostrando o quanto o tumor é sensível ao tratamento. Quando ocorre a chamada resposta patológica completa — ausência de tumor na cirurgia — as taxas de cura aumentam de forma expressiva.

A imunoterapia, uma das grandes revoluções da oncologia moderna, passou a integrar esse arsenal. Em combinação com a quimioterapia, aumenta substancialmente as taxas de resposta e melhora a sobrevida. Após a cirurgia, esse tratamento pode ser mantido para consolidar os resultados.

A cirurgia permanece como etapa fundamental, seja na forma de procedimento conservador ou mastectomia, dependendo da extensão do tumor.

Após a cirurgia, avalia-se a carga tumoral residual, isto é, a quantidade de células tumorais vivas remanescentes após o tratamento sistêmico. Nos casos com doença residual, outras terapias podem ser indicadas, como capecitabina, sacituzumab-deruxtecan (em protocolos de estudo) ou inibidores de PARP para pacientes com mutação BRCA.

 A radioterapia é adicionada conforme o risco individual de recorrência.

O conjunto dessas etapas forma uma estratégia integrada que, quando bem executada, transforma um cenário inicialmente ameaçador em uma perspectiva real de cura.

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