CORONAVAC: Entenda como funciona a vacina contra o coronavírus

O número de casos de coronavírus no Brasil e no mundo não para de crescer, já tendo causado mais de 200 mil mortes no Brasil e cerca de 2 milhões de mortes em todo o mundo.

Neste momento, Janeiro de 2021, vivemos o pico da pandemia com o maior número de casos registrados por dia desde o início da mesma, em Março de 2020.

Entretanto, as vacinas contra o vírus Sars-CoV-2 já começam a ser uma realidade.

No Brasil, a principal vacina em teste é a CoronaVac da farmacêutica chinesa Sinovac Life Science em parceria com o Instituto Butantan.  Os dados sobre a eficácia desta vacina acabam de ser liberados, e estes dados são excelentes.

 

EFICÁCIA DA VACINA CORONOVAC

A vacina produzida pelo Butantan apresentou os seguintes valores:

  • Proteção contra casos graves: 100% de eficácia;
  • Proteção contra casos moderados: 100% de eficácia;
  • Proteção contra casos leves:  78% de eficácia.

 

INTERPRETAÇÃO PRÁTICA

Aqui coloco o dado mais importante sobre a vacina:

Proteção contra casos que levam o paciente a óbito: 100% de eficácia

Ou seja, a proteção contra morte pela COVID-19 é o que importa na prática. E essa proteção foi excepcional (100%) na população do estudo.

Ainda que esses dados não englobem todos os subgrupos populacionais como idosos, obesos, pacientes com problemas cardíacos, problemas pulmonares ou pacientes oncológicos, os dados são muito positivos.

 

COMPREENDA MAIS SOBRE A VACINA ABAIXO.

COMO FUNCIONA A VACINA?

A CoronaVac é produzida com vírus inativados do novo coronavírus (Sars-CoV-2), logo, a vacina não pode desencadear a doença em si. Ao ser aplicada a vacina, esse vírus inativado ativa nosso sistema imunológico produzindo agentes de defesa (o que chamamos de anticorpos) contra o vírus causador da COVID-19. Em uma futura exposição, o nosso corpo já terá agentes de defesas aptos a matar o vírus para tentar evitar a manifestação de sintomas e, fundamentalmente, para evitar as formas graves (essas formas graves são as que podem levar os pacientes a óbito).

QUANTAS DOSES SÃO NECESSÁRIAS DA VACINA CORONAVAC?

Duas doses. Com a aplicação de duas doses, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da COVID-19.

QUAL O INTERVALO DE TEMPO ENTRE CADA DOSE?

O intervalo é de 14 dias (duas semanas) entre elas.

COMO SERÁ APLICADA A VACINA?

A vacina é aplicada por via intramuscular.

ESSA TECNOLOGIA DA VACINA CORONAVAC JÁ FOI TESTADA ANTES?

Sim, a vacina CoronaVac tem a mesma tecnologia usada em outras vacinas bem-sucedidas produzidas pelo Instituto Butantan, como as do sarampo e poliomielite, as quais usamos há vários anos e em larga escala em nosso país com excelentes taxas de eficácia.

O INSTITUTO BUTANTAN TEM EXPERIÊNCIA NA PRODUÇÃO DE VACINAS?

Sim, e muita experiência. O Instituto Butantan é o principal produtor de soros e vacinas do Brasil e tem experiência reconhecida em todo o mundo há mais de 100 anos produzindo soros, vacinas e imunizando a população brasileira desde 1899. O Instituto Butantan é o maior produtor de vacinas da América Latina e um dos maiores do mundo. Conheça mais sobre o Instituto Butantan no link  http://butantan.gov.br/

QUANTAS PESSOAS NO BRASIL JÁ TOMARAM A VACINA?

Na fase de estudo participaram 12.476 profissionais da saúde que estavam atuando diretamente na linha de frente dos casos de COVID-19, em oito estados diferentes, divididos em 16 centros de pesquisa, tendo recebido duas doses da vacina. Ou seja, muitas pessoas já foram expostas à vacina com alta taxa de segurança.

QUAIS OS EFEITOS COLATERAIS RELATADOS?

As reações mais comuns entre os participantes do estudo após a primeira dose foram dor no local da aplicação e dor de cabeça. Na segunda dose, as reações adversas mais comuns foram dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Febre baixa foi registrada em apenas 0,1% dos participantes e não há nenhum relato de reação adversa grave relacionada à vacina até o momento.

PACIENTES ONCOLÓGICOS PODERÃO TOMAR A VACINA?

Sim. Os pacientes oncológicos, neste cenário, podem ser agrupados em 3 grupos para efeitos práticos.

  • Pacientes que tiveram câncer e já não realizam nenhum tratamento: poderão receber normalmente a vacina;
  • Pacientes em fase de manutenção com hormonioterapia ou terapia alvo ou em pré ou pós-operatório: poderão receber normalmente a vacina;
  • Pacientes em fase de tratamento efetivo com quimioterapia: poderão receber a vacina, mas precisarão ter um alinhamento com a equipe médica para identificar o melhor momento entre uma sessão e outra de quimioterapia.

PLANO PRELIMINAR DE VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 NO BRASIL

No início de dezembro, o Ministério da Saúde divulgou um documento em que apresenta, sem informar datas, o plano preliminar de vacinação contra a COVID-19 em território nacional.

Nele, são apresentadas quatro fases que os estados, quando iniciarem as campanhas de imunização, deverão seguir:

Primeira fase – serão imunizados trabalhadores da saúde, população idosa com mais de 75 anos, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em asilos ou instituições psiquiátricas e população indígena.

Segunda fase – pessoas de 60 a 74 anos.

Terceira fase – prioriza pessoas com comorbidades que apresentam maior chance de agravamento da doença, como as que têm doenças renais crônicas e cardiovasculares.

Quarta fase – deve abranger professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e detentos.

PEI – PLANO ESTADUAL DE IMUNIZAÇÃO DE SÃO PAULO.

O Governo de São Paulo já anunciou a estratégia para a 1ª fase de aplicação.

Nesse momento, a campanha será voltada para pessoas com 60 anos ou maistrabalhadores da saúdeindígenas quilombolas. Esses grupos juntos representam cerca de 9 milhões de pessoas.

Também foi divulgado um cronograma prevendo que essa primeira etapa comece em 25 de Janeiro e se estenda até Março de 2021. Serão nove semanas e duas doses por pessoa, que devem seguir a escala por faixa etária.

EM QUE LOCAIS SERÁ APLICADA A CORONAVAC?

Além disso, a proposta é ampliar os locais de vacinação utilizando, além dos 5.200 postos já existentes, espaços como escolas, quartéis, estações e terminais de transporte público, farmácias e sistema drive-thru.

Para garantir a imunização desse primeiro grupo, estão previstas 18 milhões de doses da vacina envolvendo uma logística de transporte, armazenamento, segurança e recursos humanos.

QUAIS OS PROTOCOLOS DE SEGURANÇA ANTES E DURANTE DO PERÍODO DE VACINAÇÃO?

Os protocolos de segurança com uso de máscara facial deverão ser mantidos antes e durante o período de vacinação, mesmo para as pessoas já vacinadas e/ou que já contraíram o vírus previamente.

É muito importante continuarmos seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pela Classe Médica, Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil.