Quem teve câncer de mama pode amamentar?

Quando vamos falar deste tópico (câncer de mama e gravidez) estamos sempre no cenário de uma mulher jovem que está em idade reprodutiva cheia de asseios e expectativas em sua vida profissional, pessoal, matrimonial, sexual e reprodutiva.

Paciente que teve câncer de mama pode amamentar?

As mulheres que tiveram câncer de mama podem amamentar normalmente, do ponto de vista fisiológico, apenas na mama que não foi o alvo direto do tratamento. Vamos entender melhor o que ocorre:

Mulheres que realizaram mastectomia para o tratamento do câncer retiram toda a mama e os ductos mamários tornado impossível a amamentação com esta mama ainda que reconstruída com prótese de silicone ou tecidos do próprio corpo (retalhos miocutâneos) pois esta reconstrução visa apenas a restauração do aspecto anatômico e estético, esta mama reconstruída não tem a capacidade funcional de produção de leite que é uma particularidade e condição apenas da mama natural.

Já para aquelas pacientes que realizaram cirurgias parciais, ou seja, cirurgia conservadora (também chamada de quadrantectcomia) como este tipo de tratamento envolve a complementação com a radioterapia, esta irradiação da mama afeta as células responsáveis pela produção de leite. Esta mama também terá seu desenvolvimento (aumento de volume) prejudicado durante a gravidez pois estas células irradiadas também apresentam menor resposta proliferativa ao estímulo hormonal durante a gravidez. Caso o efeito do tratamento não tenha sido muito agressivo, esta mama, ainda que com alguma limitação na produção do leite poderá produzi-lo e amamentação poderá ocorrer.

Para as pacientes que tiveram um câncer em apenas uma das mamas (que é a situação mais comum) a outra mama (mama saudável) continuará produzindo leite normalmente e também terá o seu desenvolvimento habitual durante a gravidez pois o tratamento realizado não afeta esta mama.

Vale a pena destacar que, durante a gravidez a mama saudável cresce e se desenvolve normalmente enquanto a mama que foi tratada do câncer fica do mesmo tamanha ou tem o seu aumento limitado. Desta forma, já é esperado um certo grau de assimetria das mamas durante a gravidez o que é normal e não deve trazer preocupação por si só.

Quando uma paciente que teve câncer de mama poderia ficar grávida?

Questão muito importante e que no geral vem antes da pergunta anterior é quando uma paciente que teve câncer de mama pode engravidar. A resposta desta questão é um pouco complexa e de fundamental importância.

Estas pacientes quem pensam em ficar grávida após o tratamento do câncer de mama deverão consultar o seu médico a fim de receber orientações acerca do tratamento atual que ela esteja realizando – por exemplo é proibido que a mulher fique grávida durante a quimioterapia e também durante a hormonioterapia (que no geral é realizada com uma medicação chamada tamoxifeno nesta faixa etária) pois estes tratamentos estão associados à má formação do bebê. Mulheres nestas condições são orientadas pelos médicos a usarem métodos contraceptivos como preservativo ou DIU (dispositivo intrauterino). O uso de anticoncepcional oral (hormonal) é contraindicado para estas pacientes.

Outra questão oncologicamente de relevância é o entendimento global da doença e das chances de cura na dependência do grau de extensão da doença o que chamamos de estadiamento.

A gravidez por si só não altera a chance de cura da paciente sendo algo que deve ser contemplado na avaliação médica. Os cuidados se relacionam às medicações que estão sendo usadas naquele momento.

Apenas a equipe médica que assiste a paciente poderá orientar a paciente sobre o melhor momento para ficar grávida de acordo ao tratamento em curso e as perspectivas futuras.

Existem casos que a mulher poderá ser liberada após 2 anos do inicio do tratamento e outros casos que seria conveniente a gravidez só após 5 anos, principalmente quando a mulher está fazendo uso do tamoxifeno. No entanto, existem casos que a paciente deverá usar o tamoxifeno por 10 anos e nestes casos a decisão é ainda mais importante e mais difícil pois, em geral, após 10 anos de tratamento estas pacientes eventualmente já estarão em idade mais avançadas o que dificulta ainda mais as chances de gravidez.

Outra questão importante é que com o tratamento de quimioterapia e hormonioterapia a qualidade dos óvulos fica prejudicada, o que por si só já é um fator de maior dificuldade para gravidez no futuro. Estas pacientes devem ser orientadas da possibilidade de congelamento de óvulos antes do início do tratamento para, em caso de necessidade, poderem usar estes óvulos congelados para fertilização se a gravidez natural não ocorrer.

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