Quando o câncer de mama é considerado curado?

Todo câncer de mama é tratável?

Sim, todos os cânceres de mama são tratáveis, mas nem todos são curáveis. A depender da fase em que o tumor foi diagnosticado (o que chamamos de estadiamento) o médico utilizará estratégias diferentes para melhor tratar o paciente.

A depender do estadiamento, o foco do tratamento oncológico poderá ser:

Tratamento com intuito curativo

  • Se aplica quando os tumores estão localizados na mama e até mesmo com metástase axilar (metástase regional), mas que não atingiram outros órgãos (metástase sistêmica).
  • Nesta circunstância o foco é curar o paciente e o médico utilizará o tratamento oncológico máximo – cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia e/ou hormonioterapia) e radioterapia – na dependência do grau de necessidade e da indicação médica (nem todos os pacientes vão precisar de todas as modalidades acima mencionadas de tratamento).

Tratamento com intuito paliativo

  • É a estratégia utilizada para os pacientes que apresentam doença metastática sistêmica (espalhamento pelo sangue das células tumorais originadas da mama para outros órgãos com: ossos, pulmão, pleura, fígado, etc.).
  • Nesta fase, dificilmente a doença poderá ser curada efetivamente, mas poderá ser muito bem controlada. Fator muito importante neste tópico é o volume de doença que o paciente tem, ou seja, o grau de contaminação dos órgãos envolvidos (o que chamamos de carga tumoral). Como exemplo citamos: o número de nódulos metastáticos presentes, o tamanho destes nódulos, o número de locais acometidos (fígado isolado; fígado + pulmão; fígado + pulmão + osso) e a condição clínica do paciente. Quanto menor a carga tumoral melhor será o controle deste paciente.
  • Nestes casos, o foco primordial do tratamento é aumentar a sobrevida, reduzir os sintomas (dor, falta de ar, perda de apetite, perda de peso) e melhorar/preservar a qualidade de vida dos pacientes.
  • Ou seja, mesmo para os pacientes com doença em fase metastática sistêmica temos tratamento a oferecer. O foco aqui é cronificar a doença permitindo que o paciente viva o maior tempo e da melhor forma possível.

Quando um paciente está curado?

Este assunto é bastante controverso, antes tinha-se a ideia do “número mágico” de 5 anos após o tratamento, o que, muitas vezes, está relacionado com término da hormonioterapia (que em geral dura 5 anos). É verdade que a maioria das recidivas ocorrem nos 5 primeiros anos após o tratamento, mas nos dias de hoje entendemos que o tumor de mama pode apresentar recidivas tardias (após 5 ou mesmo 10 anos do tratamento inicial) na dependência do tipo biológico do tumor, logo, este número de 5 anos já não pode ser aplicado nos dias de hoje de forma rigorosa, necessitando sim um controle médico periódico por toda a vida, ao menos uma vez ao ano após este período de 5 anos. Reforçamos que este controle médico anual já é o mínimo que uma mulher após os 40 anos de idade necessita realizar com o mastologista/cirurgião oncologista (mesmo sem diagnóstico prévio de câncer) conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

Bem, mas os pacientes não precisam viver com o fantasma da possibilidade de recidiva pela vida toda, uma vez que, este medo impedirá o pleno objetivo do tratamento médico que é que os pacientes vivam bem. O nosso entendimento atual é que o paciente deve sentir-se curado logo após o término do tratamento cirúrgico e término da quimioterapia/radioterapia uma vez que não mais exista evidência de doença, ou seja, deve, tão logo quanto possível aproveitar toda a plenitude de sua vida já na fase pós tratamento (e não esperar os 5 anos para começar a aproveitar a vida novamente).

Caso o tumor retorne algum dia (recidiva), a depender se esta recidiva ocorreu na mama, na axila ou em algum outro órgão o tratamento seria reiniciado valendo as estratégias de tratamento comentadas no início do texto.

Em quais casos o câncer de mama tem mais chances de cura?

O câncer de mama, assim como todos os demais tumores, terá sua maior chance de cura quanto mais precocemente for diagnosticado, ou seja, quanto menor for o tamanho do nódulo mamário ao diagnóstico associado a ausência de metástase nos gânglios da axila e ausência de metástase nos demais órgãos poderão ser mais facilmente curados.

Outro critério cada mais em destaque é o subtipo do câncer de mama. Nem todos os tumores de mama são iguais. Existem tumorais mais agressivos e tumores menos agressivos, é o que chamamos de comportamento biológico do tumor. Para tumores de comportamento biológico menos agressivo as chances de cura serão maiores e para aqueles de comportamento biológico mais agressivo as chances de cura serão menores.

Uma pessoa que teve o câncer de mama tratado deve tomar quais cuidados para que ele não “volte”?

Os principais cuidados para o tumor não voltar (recidiva) consistem em, primordialmente, realizar o tratamento médico correto e adequado (cirurgia, quimioterapia e/ou hormonioterapia, radioterapia, etc.) na dependência da indicação médica. Ou seja, é o grau de adesão do paciente ao tratamento oncológico. O paciente não deve abandonar o tratamento no meio, deve se envolver com o tratamento e seguir as recomendações médicas.

Os principais fatores relacionados à redução do risco de recorrência tumoral associado a realização do tratamento oncológico acima mencionados são:

  • Controle adequado de peso – pacientes obesas apresentam mais recidivas que pacientes magras
  • Prática de atividade física regular
  • Alimentação adequada
  • Hábitos saudáveis de vida
  • Não utilização de anticoncepcional oral ou de terapia de reposição hormonal
  • Redução ou parada do consumo de bebida alcoólica
  • Redução ou parada do tabagismo

Chamamos aqui a atenção para a gravidez. A gravidez, já foi tida anteriormente como um fator que piorava a sobrevida das pacientes que tiveram câncer de mama, mas hoje em dia, já é vista como algo possível e sem piora na sobrevida das pacientes. Para aquelas pacientes que desejam fortemente engravidar após o tratamento do câncer de mama – será necessária uma conversa muito específica com seu médico para entender o risco primário da doença voltar (baseado no estadiamento inicial o que independe de ficar ou não grávida) e a questão da suspensão da hormonioterapia para aquelas que estão utilizando esta modalidade de tratamento. Para isso, será necessária uma avaliação multidisciplinar envolvendo o mastologista/cirurgião oncologista, oncologista clínico e ginecologista/obstetra.

Em resumo, todos os pacientes são tratáveis e este tratamento irá depender da fase em que o tumor foi diagnosticado. O tratamento sempre terá o objetivo de cuidar bem do ser humano e ofertar a ele o melhor tratamento disponível para que possa ser efetivamente curado, ou para aqueles casos em que a cura não seja possível, que o mesmo possa viver com dignidade e com qualidade de vida pelo maior tempo possível, o que hoje em dia é cada vez mais possível.

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