EXAMES PREVENTIVOS PARA CÂNCER DE MAMA

A mamografia é o principal exame preventivo para câncer de mama. Outras exames que podem ser utilizados neste cenário são a ultrassonografia mamária (USM) e a ressonância magnéticas das mamas (RMM). Vale ressaltar que a utilização tanto da USM quanto da RMM é para casos bem específicos conforme indicação médica.

Aqui é extremamente importante entender a terminologia médica e vale uma breve introdução sobre os conceitos de prevenção primária e prevenção secundária.

Prevenção primária – consiste em várias medidas para evitar o desenvolvimento de uma doença, ou seja, se relaciona às estratégias para evitar que o câncer de mama apareça (manter o peso adequado, praticar atividade física, evitar terapia de reposição hormonal (TRH) durante a fase de menopausa e se for necessário fazer a reposição hormonal que a mesma não ultrapasse 5 anos (sob supervisão médica).

Prevenção secundária – consiste na realização de exames que possam detectar uma doença em sua fase inicial. Neste quesito é que a mamografia se enquadra. Ou seja, fazer mamografia anualmente não previne o aparecimento de câncer de mama, mas permite que ele seja detectado precocemente aumentando em muito as chances de cura da paciente.

Importância do Diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce de qualquer tipo de câncer, de uma forma geral, está associado a maiores taxas de cura bem como a menor necessidade de cirurgias mutilantes e também a menor necessidade de realização de quimioterapia.

Em geral, as taxas de cura se relacionam ao tamanho do tumor e também ao tipo do câncer (o que chamamos de  biologia tumoral). Para saber mais sobre os tipos de câncer, acesse: http://drwesleyandrade.com.br/quais-sao-os-tipos-de-cancer-de-mama/

Idade de início de realização dos exames

Nesta questão dividimos as pacientes em pacientes de risco habitual (a maioria da população) e em pacientes de alto risco (a minoria da população).

Pacientes de alto risco – são consideradas pacientes de alto risco aquelas pacientes com histórico familiar muito importante para câncer de mama sendo os principais: parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos, homens com câncer de mama na família, parentes com câncer de ovário, pacientes de família judia Ashkenazi, pacientes ou familiares sabidamente com mutação dos genes BRCA1, BRCA2 ou TP53 dentre outros.

Pacientes de risco habitual – corresponde à grande maioria da população de mulheres e que não preenchem os critérios acima

Como já comentamos anteriormente, tanto para as pacientes de risco habitual quanto para as pacientes de alto risco, a principal modalidade de exame para rastreamento do câncer de mama (prevenção secundária) é a mamografia.

 

 

Idade de início de realização da mamografia:

 Para as mulheres de risco habitual:

  • conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a realização da mamografia deve ser iniciada aos 40 anos de idade e a partir daí deve ser realizada com periodicidade anual em caso de mamografia normal e para alguns casos deverá ser repetida em 6 meses conforme comentaremos abaixo de acordo a classificação BI-RADS®.

Para as mulheres de alto risco:

  • a mamografia deve ser feito de forma mais precoce, de acordo a indicação do médico após avaliar cada caso individualmente, levando-se em conta a idade de aparecimento do caso de câncer em idade mais jovem na família, bem como a presença de determinado tipo de mutação genética ou sintoma da paciente. Para este grupo de pacientes, o médico poderá lançar mão de outras modalidades de exames além da mamografia como a ultrassonografia e, principalmente, a ressonância magnética das mamas. No geral, o rastreamento inicia-se aos 25 anos de idade neste grupo de paciente intercalando a realização de mamografia com ressonância magnética de mama a cada seis meses, ou seja, cada exame é feito anualmente. Exemplo: em janeiro se realiza a mamografia em julho se realiza a ressonância magnética.

  O que é a classificação BI-RADS® dos exames de mama e para que serve?

A classificação BI-RADS® (Breast Imaging-Reporting and Data System) consiste em um sistema internacional de padronização, avaliação, e interpretação dos exames de imagem mamária, após isto, é atribuído uma nota ao exame pelo médico que avaliou o exame. A classificação BI-RADS® se aplica aos exames de mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética de mamas o que assegura maior confiabilidade do exame e serve para os diversos serviços médicos do mundo se comunicarem com a mesma linguagem. É importante também que os pacientes cobrem das clínicas/laboratórios de imagem que esta avaliação esteja disponibilizada em seus exames mamários o que serve como um controle de qualidade do exame e maior segurança para todos.

De uma forma resumida apresentamos a interpretação do laudo de exames de acordo à classificação BI-RADS® e a conduta médica em cada caso.

Para saber mais, acesse: http://drwesleyandrade.com.br/o-que-significa-a-classificacao-birads/

Mamografia

A mamografia consiste em um raio-X das mamas. Logo, é um exame que utiliza radiação na geração da imagem mamográfica. É realizada em um aparelho específico para mama (mamógrafo) mediante a compressão das mamas (o que pode causar desconforto para algumas pacientes) sendo realizada em pelo menos duas incidências distintas para cada mama. A mamografia permite a detecção de microcalcificações e também de nódulos mamários bem como de outras alterações.

 A mamografia é o principal exame para o diagnóstico precoce do câncer de mama.

Ultrassonografia das mamas (USM)

Consiste em um exame que não utiliza radiação e, de uma forma geral, é mais tolerado (menor desconforto) pelas mulheres e sua qualidade depende muito da expertise do médico que realiza o exame naquele momento.

Em relação à capacidade de detecção de câncer de mama, este exame é inferior à mamografia nesta finalidade. Consiste em um exame que não utiliza radiação e, de uma forma geral, é mais tolerado (menor desconforto) pelas mulheres e sua qualidade depende muito da expertise do médico que realiza o exame naquele momento.

A principal limitação da USM é a incapacidade de detectar microcalcificações bem como apesentar um alto número de resultados falso positivos (lesões suspeitas na USM que geram a necessidade de biópsia de várias lesões que na realidade são benignas). As vantagens da USM consiste na capacidade de diferencias lesões sólidas (nódulos) de lesões císticas (cistos mamários), complementar os casos que geram dúvidas na mamografia bem como permitir melhor avaliação dos gânglios axilares. Idealmente o laudo da USM deve seguir as normatizações e classificação BI-RADS® conforme comentamos acima.

Apesar de muitas mulheres quererem fazer a US exclusiva (sem realizar mamografia), a US de forma isolada é inferior à mamografia para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Muitas mulheres por medo da possibilidade de dor durante a realização da mamografia optam por fazer apenas US, mas é uma opção individual e sem respaldo médico

Exame clínico das mamas

Consiste na modalidade de exame realizado pelo médico, onde ele irá de forma minuciosa examinar a mama à procura de alterações que, eventualmente, podem escapar da capacidade de detecção dos exames de imagem.