Hormonioterapia

A hormonioterapia é uma das principais armas para o tratamento adjuvante (adicional) ao tratamento principal do câncer de mama que é a cirurgia. O tratamento adjuvante visa reduzir o risco de que alguma célula tumoral que, eventualmente, possa ter escapado da mama e contaminado a corrente sanguínea.

 

  • Tratamento adjuvante é um tipo de tratamento para o câncer realizado em adição à terapia primária, principal ou inicial. Um exemplo de terapia adjuvante é o tratamento adicional geralmente empregado após a cirurgia, na qual todas as doenças detectáveis devem ter sido removidas, mas podendo permanecer um risco estatístico de recidiva, devido a lesões ocultas.
  • Tipos de tratamento adjuvante:
    •    Hormonioterapia
    •    Quimioterapia
    •    Radioterapia
    •    Terapia-alvo

Aproximadamente 65-70% dos canceres de mama são do tipo hormonal, logo, serão candidatas a utilizar a hormonioterapia.

A hormonioterapia seria, ao pé da letra, uma “anti-hormonioterapia” – vamos explicar melhor. Como dito acima, a maioria dos tumores de mama expressam receptores hormonais, estes receptores hormonais são os receptores de estrógeno e também os receptores de progesterona.

A mulher que ainda está menstruando produz estes hormônios predominantemente nos ovários (são os hormônios sexuais femininos) e também na gordura periférica (tecido subcutâneo).

Já as mulheres que já entraram na menopausa produzem estes hormônios predominantemente neste último local (gordura). Baseado nisto já percebemos que mulheres obesas tem uma carga hormonal maior que mulheres magras o que é muito mais evidente na pós menopausa aumentando mais o risco de recidiva neste grupo de paciente com excesso de peso.

 

Estes hormônios (estrógeno e progesterona) são os responsáveis por estimular e alimentar e os tumores de mama que expressam os receptores hormonais.

hormonioterapia (ou como explicamos, a anti-hormonioterapia) consiste em um grupo de medicamentos que tem a função de inibir que o estrógeno e progesterona produzidos nos ovários ou na gordura periférica possam chegar até a mama ou em qualquer outra célula mamária que eventualmente se espalhou pelo corpo, contribuindo para inibir a multiplicação tumoral, minimizando assim o risco de recorrência do câncer de mama.

A principal vantagem da hormonioterapia é se tratar de uma opção muito efetiva, e no geral, com muito menos efeito colateral que a quimioterapia (não promovem queda de cabelo, náuseas, vômitos ou risco de infecções graves (pois não levam à baixa da imunidade).

A maioria dos medicamentos desta classe são via oral o que oferece grande comodidade para o paciente, mas no geral tem seu uso prolongado (cerca de 5 anos podendo chegar até 10 anos em alguns casos de maior risco)

Os principais efeitos colaterais se relacionam a falta do hormônio sexual feminino no corpo da mulher (pois estão inibidos ou bloqueados por estas substâncias) podendo levar ou intensificar os sintomas de menopausa como calores, vagina seca, redução da libido, irritabilidade dentre outros.

Vários casos de câncer de mama com expressão de estrógeno e progesterona, se diagnosticados no início e que ofereçam baixo risco de metástase e de recidiva, poderão ser tratados, do ponto de vista medicamentoso, apenas com hormonioterapia (sem quimioterapia) em complementação à cirurgia oncológica e a radioterapia evitando os tão inconvenientes efeitos da quimioterapia e com altíssimas chances de cura.