Exercícios para quem está com câncer de mama

Mulheres em tratamento contra o câncer de mama podem fazer exercícios?

Sim, a atividade física é recomendada para as pacientes em tratamento de câncer de mama. Neste sentido poderíamos listar pelo menos 6 situações:

  • Após tratamento cirúrgico: as pacientes poderão voltar a praticar atividade logo que seu cirurgião oncologista/mastologista liberar. Normalmente, começa-se com as atividades envolvendo os membros inferiores (caminhada, bicicleta). Logo que a cicatrização da mama e da axila estiver adequada, a paciente será liberada para atividades com os membros superiores;
  • Durante a quimioterapia: nesta fase a prática de exercício é bem vinda, e se relaciona com maior bem estar físico e psicológico minimizando os efeitos colaterais da quimioterapia como a fadiga, náusea, vômitos e transtornos psicológicos advindos do tratamento;
  • Durante a radioterapia: nesta fase do tratamento a atividade física é adequada. Não se deve praticar atividade física aquáticas como natação, por exemplo, e deve evitar exposição ao sol. É comum ter um pouco mais de dor na região da mama e da axila nesta fase;
  • Durante a hormonioterapia: tanto para as pacientes que fazem uso de tamoxifeno, quanto de inibidores de aromatase a prática de atividade física é muito bem vinda. Os exercícios reduzem os risco de trombose nas pernas (efeito colateral que pode ocorrer com o uso do tamoxifeno), bem como, reduz a dor articular (efeito colateral relativamente frequente em quem está usando os inibidores da aromatase). Nesta fase, praticamente não há restrição do tipo de atividade física e nem de sua intensidade. Esta já seria uma fase de manutenção e os pacientes poderiam praticar os tipos de atividade que mais lhe agradassem e na frequência e intensidade que suportassem, principalmente para aquelas pacientes que realizaram apenas biópsia de linfonodo sentinela e que não apresentam linfedema. Estes pacientes devem ter o volume do braço monitorizado de perto e, no menor sinal de inchaço do braço, deveriam retornar ao seu médico;
  • Pacientes que desenvolveram linfedema no braço (inchaço do braço): esta é uma complicação relacionada à remoção de gânglios da axila, procedimento que se faz necessária em muitos casos de pacientes com câncer de mama. Estes pacientes em geral já são abordados desde o pré-operatório e orientados de como e o que fazer para evitar/minimizar que isto ocorra. Quando a paciente apresenta inchaço do braço já instalado ou risco de que ocorra deve-se evitar atividades repetitivas e limitar atividade de musculação. É extremamente importante ser avaliada pelo médico cirurgião oncologista/mastologistas e na medida da necessidade também por um fisioterapeuta especializado. Muitos pacientes podem necessitar de medidas específicas de fisioterapia para manutenção/restabelecimento da amplitude de movimento e de medidas para evitar e tratar o linfedema;
  • Pacientes com doença metastática: aqui, se exige mais cuidado, precisa-se entender a extensão da doença e os locais que estão com potencial limitação para que o exercício não atrapalhe a paciente. Por exemplo, pacientes com metástases ósseas, podem ter dor que pioram com o exercício e a atividade como caminhada. Neste cenário, ao invés de ajudar poderia atrapalhar. Para estes pacientes, o médico irá encontrar uma outra atividade física substitutiva para ajudar o seu paciente.

Quais os melhores exercícios para quem está nesta condição?

Os melhores tipos de atividade física para pacientes nesta condição são exercícios físicos aeróbicos envolvendo caminhada, pequenas corridas, bicicleta, dança, dentre outras. Outras modalidades também bem interessantes são a prática de yoga e de pilates.

Natação e hidroginástica são ótimas opções após a fase de recuperação cirúrgica e da radioterapia.

Eles ajudam a melhorar ou prevenir alguma dor? Quais os outros benefícios?

Sim, os exercícios físicos produzem no corpo a liberação de substâncias capazes de reduzir dores crônicas e melhorar a sensação de bem estar.

Combatem a fadiga, que é um efeito muito comum durante a quimioterapia e que restringe e limita muito o paciente fisicamente e socialmente. Possibilitam também melhora do sono, do humor e do desejo sexual (que fica bem reduzido durante a fase mais ativa do tratamento).

Existe também um benefício oncológico direto da prática de atividade física. É sabido hoje que o excesso de peso libera no corpo substâncias que estimulam o desenvolvimento/retorno do câncer de mama. Logo, a prática de atividade física irá contribuir para a redução do peso o que, por sua vez, irá contribuir para a redução do risco de retorno do tumor.

Quais exercícios não devem ser feitos?

Devem ser evitados exercícios extenuantes como corridas longas e musculação com excesso de peso. Também não são aconselhados exercícios que ofereçam risco de corte/machucado no braço do lado da cirurgia mamária e axilar como escalada.

Natação e hidroginástica não são recomendados durante a fase de pós-operatório imediato (até que as feridas cicatrizarem) bem como durante a radioterapia – momento em que a pele pode ficar com varias escoriações por efeito direto da radioterapia.

Muito cuidado tem de se ter com o braço do lado operado, ao menor sinais que este braço possa estar inchando, esta atividade deve ser interrompida e o paciente imediatamente retornar ao seu médico para nova avaliação.

Quais os cuidados que se deve ter quando for fazer esses exercícios?

Antes de mais nada, o paciente deve aconselhar-se com seus médicos para pedir liberação da parte deles para a prática de atividade física.

A prática de atividade física (tipo e intensidade) é muito individualizada de acordo ao tratamento que está sendo realizado e também de acordo a fase da doença que o paciente apresenta (doença inicial X, doença em fase metastática), bem como de acordo a problemas prévios de saúde (obesidade, hipertensão, diabetes, dores ósseas ou articulares) e da capacidade cardiorrespiratória dos pacientes.

Só o seu médico poderá lhe dizer qual o melhor momento para se iniciar a atividade física e qual o tipo de atividade que poderá ser realizada.

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